Performance, números e novidades na São Silvestre e nas corridas de rua

Mara Saggi

Vinte e cinco mil corredores concluíram o percurso dos 15 km dos 90 anos de São Silvestre.

São três números para serem analisados: 90, 15 e 25.000.

1) 90 anos

Nestes 90 anos as modificações foram muitas, novas situações surgiram, deixaram de ser novidades e são normais para quem acompanha corrida recentemente.

A São Silvestre é a corrida mais antiga do Brasil e era no início uma das poucas com participação aberta. A São Silvestre começou com dezenas de participantes brasileiros e corridas de rua eram escassas. O futebol era o esporte das multidões. Hoje são centenas de corridas de rua no ano com milhares de participantes e mais corredores do que torcedores nas arenas do Campeonato Brasileiro de Futebol.

A evolução tecnológica e o aperfeiçoamento organizacional permitiram essa mudança. Além disso, a ciência comprovou que o sedentarismo é fator de risco para a saúde e a atividade física previne inclusive cardiopatias, doenças degenerativas e neoplasias.

Como a corrida é viável para a maioria, passou a ser praticada por muitas pessoas.

2) 15 km

A energia para corridas de rua é obtida pela queima de nutrientes pelo oxigênio, que é a capacidade aeróbia obtida pelo treinamento.

Poucos brasileiros treinavam constantemente, portanto a capacidade aeróbia não permitia terminar em boas condições físicas a São Silvestre até mesmo antigamente quando seu percurso tinha menos de 8 km.

Hoje, corredores amadores são verdadeiros profissionais que treinam diariamente e possuem equipe multidisciplinar.

Assim, os 15 km se tornaram uma distância fácil de ser percorrida por eles.

3) 25 mil concluíram a prova

Em 2014 foram disponibilizadas 30 mil inscrições e 25 mil concluíram a São Silvestre.

Com o aumento de praticantes, o número de pessoas aptas para 15 km é muito maior do que 25 mil e São Silvestre se tornou prova curta para muitos corredores contumazes.

Outra novidade para quem estacionou nos anos 70 é o percentual de corredoras. Naquela época a frequência feminina era quase zero, nesta última São Silvestre passou de 25%.

Além disso, a performance feminina evoluiu assustadoramente. O vencedor da São Silvestre fez o percurso com velocidade média de 3 minutos por km e a campeã com média de 3 minutos e 22 segundos.

O tempo da campeã lhe daria a colocação 38 no masculino, ou seja, superaria 18 mil homens, o que implica que algumas mulheres têm melhor performance do que a maioria dos homens.

O que acontece na São Silvestre também é válido para as outras corridas de rua.

Prof. Roberto Losada Pratti

Diretor do jornal Atividade Física

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